Dá para ter poço em casa, mas três coisas decidem se pode e como: se a sua rua tem rede pública de água, a autorização do órgão estadual de recursos hídricos e a qualidade da água. Em área urbana com rede, a lei manda ligar a casa na rede e proíbe misturar: a instalação ligada à rede não pode ser alimentada também pelo poço. O custo segue a profundidade e a geologia — e uma casa precisa de pouca vazão.
Poço residencial é diferente do poço de uma fazenda: o lote é pequeno, a fossa e os vizinhos estão perto, a água vai para beber e cozinhar, e as regras urbanas pesam mais. Por outro lado, a conta de água de uma família é pequena perto do que um poço comum entrega.
Este guia reúne o que a lei diz, quanto custa, quanta água uma casa usa e o passo a passo para furar com segurança.
Última atualização: 2 de novembro de 2026 — Equipe Técnica Aqua Liber (equipe com 15+ anos de experiência, laudos com ART-CREA).
Resumo executivo
- Em área urbana com rede pública, a casa deve ser ligada à rede, e a instalação ligada à rede não pode receber água de outra fonte (Lei 11.445/2007, art. 45).
- Onde não há rede, a lei admite solução individual — como o poço —, seguindo as normas ambientais, sanitárias e de recursos hídricos.
- Todo poço depende de autorização estadual: em São Paulo, a SP Águas (ex-DAEE) dispensa da outorga quem extrai até 15 m³/dia, mas o cadastro continua obrigatório.
- Uma família de quatro pessoas usa em torno de 0,6 m³ de água por dia; até um poço fraco do cristalino do semiárido costuma dar conta.
- O custo segue as faixas por profundidade (20 m, 50 m, 100 m ou mais) e depende da geologia; a água precisa de análise antes de ir para o copo.
Pode ter poço artesiano em casa?
Resposta direta: em regra, pode — com autorização do órgão estadual e respeitando a rede pública. Em área urbana onde existe rede, a lei exige que a casa seja ligada a ela e proíbe que a instalação ligada à rede seja abastecida também pelo poço. Onde não há rede, o poço é uma solução individual admitida pela lei.
O que diz a lei de saneamento (Lei 11.445/2007, art. 45, texto compilado, acesso 2026-10-10):
- Área urbana com rede: "As edificações permanentes urbanas serão conectadas às redes públicas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário disponíveis" (caput).
- Sem rede: "Na ausência de redes públicas de saneamento básico, serão admitidas soluções individuais de abastecimento de água", observadas as normas ambientais, sanitárias e de recursos hídricos (§ 1º).
- Não misturar: "A instalação hidráulica predial ligada à rede pública de abastecimento de água não poderá ser também alimentada por outras fontes" (§ 2º) — e essa instalação vai da ligação da concessionária até o reservatório do usuário (§ 3º).
- Condomínios e imóveis não residenciais: podem usar água subterrânea "desde que autorizados pelo órgão gestor competente", com medidor e pagando o esgoto pelo volume captado (§§ 11 e 12).
Além da lei de saneamento, vale a Política Nacional de Recursos Hídricos: a extração de água de aquífero está sujeita a outorga, e os usos considerados insignificantes independem dela, conforme o regulamento (Lei 9.433/1997, art. 12, acesso 2026-10-10). Quem decide é o órgão gestor do seu estado — as águas subterrâneas são bens dos Estados. Perfurar ou operar poço "sem a devida autorização" é infração administrativa (art. 49, V), sujeita a advertência, multa e embargo.
No condomínio, a decisão passa também pela assembleia; o caminho está em poço artesiano em condomínio.
Precisa de autorização?
Resposta direta: sim. Cada estado tem seu órgão gestor e suas regras. Em São Paulo, a SP Águas (ex-DAEE) exige licença de execução antes de perfurar e, para captar, outorga ou dispensa: poços com extração de até 15 m³/dia são dispensados da outorga, mas o cadastro continua obrigatório.
- Antes de furar: licença de execução (em SP, prevista na Portaria DAEE 1.630/2017).
- Para usar: outorga — ou dispensa para uso insignificante. Em SP, o limite é de 15 m³/dia (SP Águas — isenção de outorga, acesso 2026-10-10). Dispensa de outorga não é dispensa de registro.
- Outros estados: o limite do uso insignificante e o rito variam — confirme no órgão gestor do seu estado antes de contratar a perfuração.
O passo a passo paulista, com prazos e taxas, está em outorga de poço artesiano em SP. O vídeo da Aqua Liber Como regularizar um poço sem perder 6 meses (e R$ 50 mil em retrabalho) mostra os erros mais comuns do processo.
Quanto custa um poço artesiano residencial?
Resposta direta: depende da profundidade e, sobretudo, da geologia do terreno — não do tamanho da casa. Em faixas didáticas de mercado para 2026, sem a bomba, um poço de 20 m fica entre R$ 10 mil e R$ 28 mil e um de 50 m entre R$ 18 mil e R$ 45 mil; um poço de 150 m no Sudeste fica entre R$ 52 mil e R$ 127,5 mil.
| Profundidade | Faixa didática 2026 | Onde ver o detalhe |
|---|---|---|
| 20 m (poço raso) | R$ 10 mil a R$ 28 mil, sem bomba | quanto custa um poço de 20 metros |
| 50 m | R$ 18 mil a R$ 45 mil, sem bomba | quanto custa um poço de 50 metros |
| 100 m | de R$ 35 mil (cristalino) a R$ 85 mil (sedimentar), sem bomba | quanto custa um poço de 100 metros |
| 150 m (Sudeste) | R$ 52 mil a R$ 127,5 mil | tabela de preço de poço artesiano 2026 |
Por que a geologia pesa mais que a profundidade: em rocha cristalina, o metro perfurado é caro, mas o poço precisa de pouco revestimento — o total costuma sair mais barato. Em terreno sedimentar, o metro é barato, mas revestimento, filtro e pré-filtro ao longo do furo viram o maior item da conta. Por isso dois poços da mesma profundidade podem custar o dobro um do outro.
A diferença entre poços da mesma profundidade aparece no vídeo Quanto custa furar um poço em 2026? R$ 52k a R$ 127k — entenda.
Nota: faixas didáticas de mercado, não orçamento. A bomba, a instalação elétrica e a caixa d'água entram à parte.
Quanta água uma casa precisa?
Resposta direta: pouca, perto do que um poço comum entrega. O consumo médio no Brasil foi de 148,2 litros por pessoa por dia em 2022, segundo o SNIS — cerca de 0,6 m³ por dia para uma família de quatro pessoas. Mesmo no cristalino do semiárido, onde a vazão mediana dos poços fica entre 1 e 2 m³/h, isso se cobre com menos de uma hora de bomba ligada.
- Consumo: 148,2 L por habitante por dia em 2022 (SNIS, Diagnóstico Temático de Água e Esgoto 2023, ano-base 2022 — cópia do Instituto Trata Brasil, acesso 2026-10-10). Quatro pessoas × 148,2 L ≈ 593 L por dia.
- Oferta típica no cristalino do semiárido: "a mediana oscilando entre 1 e 2 m³/h" (Feitosa e Diniz, SGB, acesso 2026-10-10).
- Limite do uso insignificante em SP: 15 m³/dia — folga grande para uma residência.
Com jardim, piscina ou horta a conta muda, e é por isso que a vazão de projeto se calcula antes de furar. O cálculo passo a passo está em quantos m³/h de poço eu preciso.
O que o lote precisa ter antes de furar
Resposta direta: acesso para a perfuratriz, distância segura de fossas e outras fontes de contaminação, um ponto escolhido pela geologia — não pelo canto que sobrou do quintal — e proteção sanitária da boca do poço depois da obra.

- Acesso da máquina: a perfuratriz é montada em caminhão e precisa chegar ao ponto e ter espaço de trabalho. Confirme com o perfurador antes de fechar o ponto.
- Distância da fossa: para poço escavado (cacimba) na área rural, o Manual de Saneamento da FUNASA recomenda respeitar "a distância mínima de 15 metros entre o poço e a fossa do tipo seca" e de 100 metros para os demais focos de contaminação, como chiqueiros e estábulos (FUNASA, Manual de Saneamento, 5ª ed., 2019 — cópia do Lacen-PR, acesso 2026-10-10). No poço tubular, a proteção vem da cimentação do trecho superior e da laje sanitária — etapas explicadas em perfuração de poço artesiano.
- Sistemas separados: se a casa estiver ligada à rede pública, o poço não pode alimentar a mesma instalação (Lei 11.445/2007, art. 45, § 2º). Confirme com a concessionária e com o órgão gestor o que é permitido no seu caso.
- Ponto pela geologia: em lote pequeno, a margem de escolha é menor — mais um motivo para estudar antes. Em lote urbano, as linhas de eletrodos não cabem, e o caminho é o estudo por satélite, que indica o ponto de melhor chance dentro da divisa.
A água do poço pode ser bebida?
Resposta direta: só depois de análise. A água de poço de casa é uma "solução alternativa individual" e, pela Portaria GM/MS nº 888/2021, está sujeita à vigilância da qualidade da água; para consumo humano, precisa atender ao padrão de potabilidade — por exemplo, ausência de Escherichia coli em 100 mL.
- O que a portaria diz: "Toda água destinada ao consumo humano proveniente de solução alternativa individual de abastecimento de água está sujeita à vigilância da qualidade da água" (art. 4º); para essa forma de abastecimento, o padrão bacteriológico é Escherichia coli "Ausência em 100 mL" (Portaria GM/MS nº 888/2021, acesso 2026-10-10).
- Na prática: faça a análise físico-química e bacteriológica depois do poço pronto e repita periodicamente; o que pedir ao laboratório está em análise de água de poço.
- Proteção: laje sanitária, tampa vedada e distância de fontes de contaminação valem tanto quanto a análise.
Poço raso, semi-artesiano ou artesiano: qual serve para casa?
Resposta direta: o que serve é o que a geologia do terreno oferece com qualidade. O poço raso (até cerca de 20 m) é mais barato, mas mais exposto à seca e à contaminação de superfície; o poço tubular mais profundo, bem construído e protegido, costuma entregar água mais estável. Os nomes "semi-artesiano" e "artesiano" falam da pressão da água, não da profundidade.
As diferenças estão explicadas em o que é poço artesiano e como funciona e em quanto custa um poço artesiano de 20 metros.
Passo a passo para ter poço em casa
Resposta direta: verifique as regras (rede, prefeitura, órgão estadual), estude o ponto, tire a licença de perfuração, contrate perfuração com responsável técnico, faça o teste de bombeamento, regularize o uso (outorga ou dispensa e cadastro) e analise a água antes de beber.
- 1. Regras: sua rua tem rede pública? O condomínio permite? Qual é o órgão gestor do seu estado?
- 2. Estudo do ponto: comece pelo mapa hidrogeológico gratuito da região; para escolher o ponto dentro do lote urbano, o estudo por satélite; em chácara ou sítio, a geofísica de campo (Caminhamento Elétrico e SEV).
- 3. Licença de perfuração: pedida antes de a máquina entrar.
- 4. Perfuração com ART: contrato com metragem, diâmetro, materiais, cimentação e o que acontece se não sair água — veja como escolher a melhor empresa de poços artesianos.
- 5. Teste de bombeamento: é ele que mede a vazão real e define a bomba — veja teste de bombeamento.
- 6. Regularização: outorga ou dispensa, e o cadastro no órgão gestor.
- 7. Análise da água: antes do consumo humano.
Perguntas frequentes
Pode ter poço artesiano em casa?
Em regra, pode, com autorização do órgão estadual de recursos hídricos. Em área urbana com rede pública, a lei exige que a casa seja ligada à rede e proíbe que a instalação ligada à rede seja abastecida também pelo poço. Onde não há rede, o poço é uma solução individual admitida pela lei.
Quanto custa um poço artesiano residencial?
Depende da profundidade e da geologia. Em faixas didáticas de 2026, sem a bomba, um poço de 20 m fica entre R$ 10 mil e R$ 28 mil e um de 50 m entre R$ 18 mil e R$ 45 mil; um poço de 150 m no Sudeste fica entre R$ 52 mil e R$ 127,5 mil.
Precisa de autorização para ter poço em casa?
Sim. A extração de água de aquífero está sujeita a outorga, e os usos insignificantes independem dela conforme o regulamento de cada estado. Em São Paulo, quem extrai até 15 m³/dia é dispensado da outorga, mas precisa cadastrar o poço na SP Águas.
Posso ligar o poço na mesma caixa d'água da rede pública?
Não. A Lei 11.445/2007 determina que a instalação hidráulica ligada à rede pública não pode ser alimentada também por outras fontes — e essa instalação vai da ligação da concessionária até o reservatório da casa. Confirme com a concessionária o que é permitido no seu caso.
Qual a distância mínima entre o poço e a fossa?
Para poço escavado na área rural, o Manual de Saneamento da FUNASA recomenda pelo menos 15 metros da fossa seca e 100 metros de outros focos de contaminação. No poço tubular, a proteção vem da cimentação do trecho superior e da laje sanitária, previstas no projeto.
A água do poço de casa pode ser bebida?
Só depois de análise de laboratório. Pela Portaria GM/MS nº 888/2021, a água de poço individual está sujeita à vigilância da qualidade e, para consumo humano, deve atender ao padrão de potabilidade — como a ausência de E. coli em 100 mL.
Quanta água uma casa usa por dia?
O consumo médio no Brasil foi de 148,2 litros por pessoa por dia em 2022 (SNIS) — cerca de 0,6 m³ por dia para uma família de quatro pessoas, sem contar jardim ou piscina.
Próximo passo: aprofunde sua decisão
Antes de contratar a perfuração, entenda o projeto do poço de ponta a ponta. O e-book gratuito da Aqua Liber cobre do estudo geofísico à outorga. Baixe o Guia do Projeto de Poço com Segurança Técnica — responda 2 perguntas rápidas e receba o PDF no seu e-mail.
Um aviso importante: este artigo é educativo. As faixas de custo citadas são referências didáticas de mercado (2026), não orçamento nem proposta da Aqua Liber. As referências legais resumem regras gerais, que variam por estado e município; para o seu caso, confirme no órgão gestor e consulte um profissional habilitado. Água para consumo humano só depois de análise laboratorial.
Sobre a Aqua Liber
A Aqua Liber Geofísica é especializada em locação de poços por geofísica — Caminhamento Elétrico (técnica primária) e SEV (complementar), interpretados dentro do modelo conceitual hidrogeológico de cada área. Fundada em 2021, reúne uma equipe com mais de 15 anos de experiência no setor e centenas de laudos geofísicos emitidos com ART-CREA, atendendo propriedades em vários estados do Brasil, em terrenos sedimentares e cristalinos. Se a perfuração divergir do que o laudo apontou, devolvemos o valor da locação, nas condições do contrato.
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Referências:
· Lei 11.445/2007 — Diretrizes nacionais para o saneamento básico (texto compilado), art. 45 (acesso 2026-10-10)
· Lei 9.433/1997 — Política Nacional de Recursos Hídricos, arts. 12 e 49 (acesso 2026-10-10)
· SP Águas — Isenção de outorga (Portaria DAEE 1.631/2017) (acesso 2026-10-10)
· Ministério da Saúde — Portaria GM/MS nº 888/2021 (acesso 2026-10-10)
· FUNASA — Manual de Saneamento, 5ª ed. (2019), cópia do Lacen-PR (acesso 2026-10-10)
· SNIS — Diagnóstico Temático Visão Geral, Água e Esgoto 2023 (ano-base 2022), cópia do Instituto Trata Brasil (acesso 2026-10-10)
· Feitosa e Diniz — Água subterrânea no cristalino da região semiárida brasileira (SGB, Águas Subterrâneas) (acesso 2026-10-10)
· Aqua Liber — Quanto custa furar um poço em 2026? R$ 52k a R$ 127k (vídeo) (acesso 2026-10-10)
· Aqua Liber — Como regularizar um poço sem perder 6 meses (vídeo) (acesso 2026-10-10)