Resumo: um poço tubular raso de 20 metros custa, em faixas didáticas de mercado (2025–2026), entre R$ 10 mil e R$ 28 mil sem a bomba. Capta o aquífero livre: o nível sobe e desce com a chuva, a vazão é pequena e a água é exposta à contaminação. Resolve para casa e chácara; para vazão firme, o terreno decide.
Última atualização: 18 de setembro de 2026 — Equipe Técnica Aqua Liber (equipe com 15+ anos de experiência, laudos com ART-CREA).
Resumo técnico (dados-chave):
- Custo de 20 m: soma transparente de faixas didáticas — obra + materiais + análise R$ 7,5–18 mil, mais limpeza e teste simplificado R$ 2–10 mil ≈ R$ 10–28 mil sem bomba (2025–2026).
- O metro é ~1/3 do custo: mobilização, testes e bomba não encolhem com a profundidade — por isso 20 m não custam "um sétimo" de 150 m (R$ 52–127,5 mil no Sudeste em 2026).
- Nomes: não há padronização nacional dos termos de poço (SGB/CPRM, 2016); "mini poço" é termo comercial, "semi-artesiano" tecnicamente é o artesiano que não jorra, e cacimba é o poço escavado.
- Dois terrenos: no sedimentar, 20 m alcançam o aquífero livre; no cristalino, 20 m param no manto de alteração (saprolito) — a fratura produtiva fica mais fundo (BGS, 2019; Bossi, 2016).
- Na seca o nível cai: numa microbacia da Zona da Mata mineira, o nível de um aquífero livre oscilou entre 0,56 e 1,7 m de profundidade em 8 meses (Carvalho et al., 2013); o USGS documenta poços rasos que param de produzir até a recarga voltar.
- 20 m é o poço pequeno mais comum: em 100 poços de pequeno diâmetro no Pecém (CE), a profundidade média foi 20,87 m e o nível estático médio, 5,9 m (Moura et al., 2013).
- Regularização: outorga de poço é sempre estadual; usos insignificantes podem ser dispensados, mas o cadastro em regra continua (SP até 15 m³/dia; MG até 14 m³/dia em poço tubular rural, com requisitos).
Resumo executivo
- 20 metros custam R$ 10–28 mil sem bomba em faixas didáticas; 50 metros, R$ 18–45 mil (2025–2026).
- "Mini poço" é nome de mercado; artesiano de verdade é o que jorra sozinho (SGB/CPRM).
- Sedimentar × cristalino: em rocha, 20 m ficam no solo alterado — a água firme está na fratura.
- Poço raso rende pouco e sofre na seca: o nível freático desce e a vazão cai (USGS; Carvalho et al.).
- Vale para casa e chácara; para irrigação e vazão firme, geofísica antes de decidir raso ou fundo.
Quanto custa um poço artesiano de 20 metros?
Resposta direta: Em faixas didáticas de mercado (2025–2026), um poço tubular raso de 20 metros fica entre R$ 10 mil e R$ 28 mil sem a bomba: R$ 7,5–18 mil de obra, revestimento, filtro e análise da água, mais R$ 2–10 mil de limpeza e teste. O metro é só uma parte — o resto não encolhe porque o poço é raso.
O preço por metro é o avanço da broca — tipicamente cerca de um terço do investimento final. Em centenas de laudos geofísicos, o que decide o custo de um poço é o terreno, não a perfuratriz. E o que o mercado chama de "poço artesiano de 20 metros" é, tecnicamente, um poço tubular raso (furo de pequeno diâmetro, revestido com tubo, que capta a água mais próxima da superfície); usamos o termo popular porque é ele que você digita no Google.
O que entra na conta
As faixas abaixo são referências didáticas de mercado (2025–2026), não proposta comercial, para um poço de 20 metros em diâmetro pequeno (4 a 6 polegadas).
| Item | Como costuma ser cobrado | Faixa didática para 20 m |
|---|---|---|
| Mobilização e montagem do canteiro | verba + deslocamento por km | R$ 1,5–4 mil (poço pequeno; ~R$ 12–15/km) |
| Perfuração (o "R$/m") | por metro, por trecho e diâmetro | sedimento R$ 120–250/m → R$ 2,4–5 mil · rocha rasa R$ 150–280/m → R$ 3–5,6 mil |
| Revestimento PVC geomecânico 4"–6" | por metro | R$ 150–290/m → R$ 2,5–5,8 mil (coluna quase toda revestida) |
| Filtro ranhurado + pré-filtro de seixos | por metro + por tonelada | filtro R$ 165–290/m em 3–6 m → R$ 0,5–1,7 mil · seixos R$ 1.250–2.100/t (centenas de reais) |
| Cimentação sanitária + laje de proteção | verba | verba do perfurador (exigência da NBR 12244) |
| Análise de potabilidade (Portaria 888/2021) | por amostra | R$ 300–600 (básica) |
| Subtotal: obra + materiais + análise | ≈ R$ 7,5–18 mil | |
| Desenvolvimento (limpeza que libera a vazão) | por hora de compressor/bomba | R$ 580–1.050/h; com 2–4 h ≈ R$ 1,2–4,2 mil |
| Teste de vazão simplificado | por hora | R$ 250–760/h; com 4–8 h ≈ R$ 1–6 mil |
| Bomba, quadro e tubulação | por porte | à parte — dimensionada pelo teste de vazão |
Nota: faixas didáticas, sem preço fechado de nenhuma empresa; as horas de limpeza e teste são uma hipótese declarada para um poço pequeno. Somando tudo sem a bomba, a ordem de grandeza é R$ 10–28 mil. A bomba de um poço raso é pequena, mas é escolhida pela vazão medida no teste — veja o guia da bomba submersa palito.
10, 20, 30, 50 e 60 metros: o que muda na conta
A conta não é linear: mobilização, teste, análise e bomba custam praticamente o mesmo num poço de 10 ou de 50 metros; o que escala é a perfuração e o revestimento. Por isso um poço de 150 metros custa por volta de cinco vezes um de 20 — não sete vezes e meia.
| Profundidade | Perfuração (didático) | Revestimento + filtro | Itens que não encolhem | Ordem de grandeza sem bomba |
|---|---|---|---|---|
| 20 m (tubular raso) | R$ 2,4–5,6 mil | R$ 3–7,5 mil | R$ 4–15 mil | ≈ R$ 10–28 mil |
| 50 m (tubular raso/médio) | R$ 6–14 mil | R$ 7,5–16 mil | R$ 4–15 mil | ≈ R$ 18–45 mil |
| 60 m (tubular médio) | R$ 7–17 mil | R$ 9,5–19 mil | R$ 4–15 mil | ≈ R$ 21–51 mil |
| 150 m (profundo, Sudeste 2026) | R$ 350–850/m | incluído | incluído | R$ 52–127,5 mil |
Nota: a linha de 150 m usa as faixas canônicas de 2026 para o Sudeste e outra classe de sonda — não misture as duas escalas de R$/m. Entre 50 e 60 metros a conta quase não muda; o que muda é o que os 10 metros extras atravessam: em sedimentar, costumam ser só mais coluna d'água; em cristalino, podem ser a diferença entre parar no saprolito e alcançar a primeira fratura. Em cristalino, o trecho aberto na rocha dispensa tubo e o poço tende a sair mais barato no total, mesmo com o metro mais caro: a inversão detalhada na tabela de custos do poço artesiano em 2026 e no vídeo por que dois poços da mesma profundidade custam de R$ 52 mil a R$ 127 mil.
Mini poço, semi-artesiano, cacimba: o que cada nome quer dizer
Resposta direta: Não existe padronização nacional para esses nomes, como reconhece o próprio Serviço Geológico do Brasil (Vasconcelos, 2016). "Mini poço" é termo comercial para o poço tubular raso de pequeno diâmetro; "semi-artesiano" designa tecnicamente o poço em aquífero confinado que não jorra; cacimba é o poço escavado à mão; artesiano, no sentido técnico, é o jorrante.
A classificação técnica separa os poços pelo modo de construção e pelo comportamento da água. A revisão de conceitos do SGB/CPRM (Vasconcelos, 2016, acesso 2026-09-07) alerta que "a falta de uma padronização nacional de termos pode gerar dificuldades" e propõe a nomenclatura da tabela; o USGS usa divisão parecida — escavados, cravados e perfurados (USGS, Groundwater Wells, acesso 2026-09-07).
| Nome popular | Nome técnico (SGB/ABAS) | Como é feito | Termo USGS |
|---|---|---|---|
| Cacimba, poço caipira | Poço escavado sem revestimento (cacimbão quando revestido) | cavado à mão; 1 a 5 m de diâmetro; capta o aquífero livre | dug well |
| Ponteira | Poço cravado | tubo fino cravado em areia ou cascalho saturado, filtro na ponta | driven well |
| "Mini poço" | Poço tubular raso (freático) — termo comercial | sonda leve, PVC de 4"–6", capta o aquífero livre; em geral algumas dezenas de metros | drilled well (raso) |
| "Semi-artesiano" (mercado) | Poço artesiano não jorrante | aquífero confinado, mas a água não chega à superfície: precisa de bomba | drilled well |
| "Artesiano" (mercado) | Poço tubular profundo | sonda rotativa ou pneumática; revestimento, filtros e cimentação por norma | drilled well |
| Artesiano (técnico) | Poço jorrante | a água sobe acima do terreno pela pressão do aquífero confinado | flowing artesian well |
Nota: o poço escavado (cacimba) capta o aquífero livre "geralmente em profundidades não superiores a 15 m, porém, dependendo da região, podem ter profundidades superiores a 50 m" (Vasconcelos, 2016); o poço tubular raso mira a mesma camada, com sonda leve e revestimento em PVC. No mercado, "semi-artesiano" é usado de forma inconsistente — inclusive para qualquer poço que não jorra.
A cacimba merece respeito: sobre o arenito Caiuá, no noroeste do Paraná, ainda são comuns cacimbas rurais de 20 a 50 metros e cerca de 1 metro de diâmetro (Vasconcelos, 2016) — captação manual que coexiste com a perfuração mecanizada. O que mudou é o entorno: fossas, currais e agrotóxicos perto de um poço aberto pedem cuidados que a cacimba antiga não previa. As tipologias estão comparadas em poço semi-artesiano vs. artesiano: preço e vantagens.
Por que um poço de 20 metros dá água num terreno e seca no vizinho?
Resposta direta: Porque 20 metros atravessam camadas diferentes em cada terreno. No sedimentar, o furo alcança o aquífero livre — água nos poros da areia ou arenito, cujo nível sobe e desce com a chuva. No cristalino, 20 metros ficam no manto de alteração (rocha decomposta), que guarda pouca água; a fratura que produz de verdade fica mais fundo.
Terreno sedimentar: a água está nos poros — e o nível respira
Em arenitos e sedimentos (como no Sistema Aquífero Bauru, que aflora em vários estados do interior do Brasil), a água ocupa os poros entre os grãos. A parte de cima é o aquífero livre (freático): sem camada impermeável por cima, seu topo — o nível freático — sobe na chuva e desce na estiagem.
Um poço de 20 metros aqui é um tubo com filtro mergulhado nessa camada: se o nível freático está a 6 metros, sobram 14 de coluna saturada; se cai para 12 na seca, sobram 8. Em centenas de laudos geofísicos, o que separa o poço raso que produz do que seca é a espessura da zona saturada — e a seção de eletrorresistividade mostra isso antes da broca. É o perfil típico do poço pequeno: em 100 poços de pequeno diâmetro na região do Pecém (CE), a profundidade média foi 20,87 m e o nível estático (a profundidade da água no poço em repouso) médio, 5,9 m (Moura et al., 2013, acesso 2026-09-07).
Terreno cristalino: 20 metros é solo alterado, não a fratura
Em granito e gnaisse, a rocha sã não guarda água nos poros. A água só circula onde a rocha fraturou — e a camada de cima é o manto de alteração (saprolito: rocha decomposta pelo intemperismo, que ainda mostra a estrutura original). Um poço de 20 metros costuma terminar dentro dele.
O British Geological Survey (BGS, serviço geológico britânico) resume esses terrenos: a água ocorre onde a rocha foi intemperizada ou em zonas de fratura, "a maioria das quais geralmente mais rasa que algumas dezenas de metros", e as vazões "são geralmente baixas, mas normalmente suficientes para a demanda rural" (BGS, Overview of Groundwater in Africa, acesso 2026-09-07).
A profundidade sozinha não decide. Num estudo estrutural em Louveira (SP), poços na mesma área renderam de "vazão adequada somente para o abastecimento local e residencial" a 17–25 m³/h — a diferença foi apenas a família de fratura interceptada (Bossi, 2016, acesso 2026-09-07). Não é sorte: é geometria.
- "A armadilha mais comum que vemos em campo é a fratura superficial que parece boa no mapa e seca no verão. O estudo cruza o nível de seca antes de marcar o ponto." — Equipe Técnica Aqua Liber, hidrogeólogos com 15+ anos de experiência

A seca e o lençol que baixa
O nível de um poço raso muda porque o aquífero só recebe água quando há recarga. Em seca severa, o USGS registra, o nível pode cair a ponto de um conjunto de poços parar de produzir até a recarga se recuperar (USGS, Why do water levels in wells rise and fall?, acesso 2026-09-07).
No Brasil, a oscilação é medida. Numa microbacia rural da Zona da Mata mineira, o monitoramento semanal de um aquífero livre registrou o nível d'água entre 0,56 m e cerca de 1,7 m de profundidade em 8 meses — variação de até 139% entre chuva e seca (Carvalho et al., 2013, acesso 2026-09-07). É dado de uma microbacia, não constante nacional; a rede RIMAS, do SGB, acompanha esse comportamento em mais de 500 poços de 24 aquíferos, em 22 unidades federativas (RIMAS/SGB, acesso 2026-09-07).
O USGS mostra o caminho da gota de chuva ao aquífero no vídeo From Raindrop To Aquifer: The Science Of Groundwater Recharge (EN, 7 min). E o que funciona (ou não) para saber se há água antes de furar está em como achar veia de água: métodos populares e a solução científica.
Quanta água um poço raso entrega?
Resposta direta: Pouca, e variável — o suficiente para casa, chácara ou um cocho, não para irrigar área extensa. Não existe faixa fixa: a vazão depende da espessura da zona saturada e do terreno, e só o teste de bombeamento a mede. Para comparar, poços profundos rendem 30–80 m³/h no sedimentar (Bauru) e 5–20 m³/h no cristalino fraturado, faixas da Aqua Liber.
A pergunta certa não é "quanto rende?", é "quanto eu preciso?": uma casa com caixa d'água se abastece com uma fração de metro cúbico por hora ao longo do dia; uma horta em gotejamento ou um rebanho no cocho pedem metros cúbicos por dia. A vazão real só aparece no teste de bombeamento (bombear o poço por horas medindo o rebaixamento do nível), que define a bomba e deve considerar o nível de estiagem — poço raso dimensionado em janeiro seca em setembro. A profundidade certa obedece à geologia, não à média da região, como mostramos em A Ciência por Trás da Profundidade Certa de um Poço e em qual a profundidade ideal para um poço artesiano.
Água de poço raso é segura para beber?
Resposta direta: Só com análise laboratorial no padrão do Ministério da Saúde (Portaria GM/MS 888/2021). Poço raso capta o aquífero livre, que o USGS classifica como mais vulnerável à contaminação por estar perto da superfície e sem camada protetora. Fossas, currais e adubo a poucos metros são a principal ameaça — e a construção correta (laje, cimentação, filtro) é a primeira defesa.
O risco de contaminação "é maior para aquíferos livres do que para aquíferos confinados, porque geralmente estão mais perto da superfície e não têm uma camada confinante sobreposta", registra o USGS em Groundwater Quality (acesso 2026-09-07). O programa NAWQA, do mesmo USGS, mostra que a vulnerabilidade ao nitrato (contaminante típico de esgoto e adubo) cresce em solos bem drenados e rochas porosas ou fraturadas — o perfil do poço doméstico raso (Nolan & Hitt, 2006, acesso 2026-09-07).
Vulnerável não é condenado: na microbacia mineira citada acima, a vulnerabilidade do aquífero livre foi classificada como moderada pelo método GOD (Carvalho et al., 2013). A Resolução CONAMA 396/2008 define valores de referência para água subterrânea por uso, e a potabilidade segue a Portaria GM/MS 888/2021, que vale também para soluções individuais. Nenhuma das duas "diagnostica" o seu poço: só a análise diz se a água pode ser bebida; a Vigilância em Saúde do município é a referência em caso de suspeita.
O que um poço raso bem construído precisa ter
A NBR 12244 (norma de construção de poço tubular) exige laje sanitária no topo, cimentação do espaço anelar (o selo entre o tubo e a parede do furo, que impede a água de superfície de descer pelo lado de fora) e filtro apenas no trecho produtor. Quanto mais raso o poço, mais perto da fonte de contaminação — e mais isso importa.
A distância de fossas e sumidouros também pesa. A antiga NBR 7229 fixava 15 metros como mínimo; foi cancelada em 2024 e substituída pela NBR 17076, que, segundo fontes técnicas do setor, mantém a referência de 15 metros de afastamento de poços freáticos — confirme com o projetista a redação vigente e, na dúvida, afaste mais. Cacimba sem tampa, sem anel elevado e a poucos metros do curral é o cenário que mais aparece em análise reprovada.

Poço raso precisa de outorga?
Resposta direta: Em regra, todo poço precisa de autorização do órgão gestor estadual — nunca da ANA, que cuida de rios federais. Usos insignificantes podem ser dispensados de outorga, mas o limite é definido por cada estado e o cadastro do poço continua sendo exigido na maioria deles. Perfurar ou operar poço sem autorização é infração administrativa prevista na Lei 9.433/1997.
As águas subterrâneas são bens dos estados (Constituição Federal, art. 26, I). A Lei 9.433/1997 sujeita a outorga a extração de água de aquífero para consumo final ou insumo produtivo (art. 12, II) e deixa para o regulamento — ou seja, para cada estado — a definição dos usos insignificantes (art. 12, §1º). Perfurar poços ou operá-los sem autorização é infração expressa (art. 49, V), com sanções que vão de advertência a embargo e tamponamento do poço (art. 50) — texto compilado em planalto.gov.br (acesso 2026-09-07).
Dois exemplos de como o limite varia:
- São Paulo: captação subterrânea de até 15 m³/dia é dispensada de outorga, mas o cadastro na SP Águas (ex-DAEE) continua obrigatório (SP Águas — isenção de outorga, acesso 2026-09-07).
- Minas Gerais: poço tubular de até 14 m³/dia em área rural pode ser enquadrado como uso insignificante, desde que cumpra requisitos cumulativos (autorização de perfuração prévia, fora de área de restrição, um poço por imóvel), com certidão emitida pelo IGAM (Deliberação Normativa CERH-MG 76/2022, via IGAM, acesso 2026-09-07).
Nos demais estados, consulte o órgão gestor antes de furar e peça ao perfurador o protocolo de cadastro junto com a nota fiscal. Um poço de 20 metros que abastece uma casa costuma caber no uso insignificante; um que abastece um sítio produtivo pode não caber — a diferença está no volume diário, não na profundidade. Em qualquer caso, confirme a regra do seu estado antes de furar.
Quando o poço raso resolve — e quando vale ir fundo
Resposta direta: O poço raso resolve quando a demanda é pequena e constante (casa, chácara, cocho, horta de quintal), o terreno é sedimentar com nível freático raso e não há fonte de contaminação por perto. Vale ir fundo — ou fazer geofísica antes de decidir — quando você precisa de vazão firme na seca, de água para irrigar ou de segurança sanitária.
| Critério | Poço raso (10–50 m, aquífero livre) | Poço profundo (80 m ou mais, aquífero confinado ou fratura) |
|---|---|---|
| Investimento inicial (didático) | ≈ R$ 10–45 mil sem bomba | R$ 52–127,5 mil (150 m, Sudeste 2026) |
| Vazão típica | pequena e variável; suficiente para demanda doméstica (BGS; Bossi) | sedimentar 30–80 m³/h · cristalino fraturado 5–20 m³/h (centenas de laudos Aqua Liber) |
| Comportamento na seca | nível cai; pode secar até a recarga voltar (USGS; Carvalho et al.) | mais estável: aquífero confinado ou fratura profunda |
| Qualidade da água | mais vulnerável a fossa, adubo e esgoto (USGS/NAWQA) | mais protegida; análise obrigatória nos dois |
| Regularização | uso insignificante + cadastro, conforme o estado | outorga de direito de uso |
| Para quem | casa, chácara, cocho, horta pequena | irrigação, indústria, condomínio, pecuária de porte |
Nota: faixas didáticas; a vazão real só aparece no teste de bombeamento, e o custo real, no memorial descritivo do orçamento.
Existe um terceiro caminho, e é o que mais economiza: decidir a profundidade antes de mobilizar a sonda. O Caminhamento Elétrico (CE — eletrorresistividade 2D, que mede como o subsolo conduz corrente ao longo de uma linha) mostra a espessura do saprolito, a posição das fraturas e a zona saturada do sedimentar; a SEV (Sondagem Elétrica Vertical — o mesmo princípio, num único ponto) detalha a coluna no local escolhido. Lidas dentro do modelo conceitual hidrogeológico da área, elas dizem se 20 metros bastam ou se vão virar dois furos.
- "Um furo seco de 20 metros custa pouco. O segundo furo custa o dobro, e o terceiro convence o cliente de que 'não tem água' — quando o que faltou foi saber onde ela estava." — Equipe Técnica Aqua Liber, hidrogeólogos com 15+ anos de experiência

A geofísica reduz o risco de furo seco e de baixa vazão nos dois terrenos; o processo está em locação de poço artesiano: o guia completo. Se a dúvida agora é orçar sem surpresas, o passo seguinte é como montar um orçamento de poço sem surpresas.
Perguntas frequentes
Quanto custa um poço artesiano de 20 metros?
Em faixas didáticas de mercado (2025–2026), um poço tubular raso de 20 metros fica entre R$ 10 mil e R$ 28 mil sem a bomba: obra, revestimento, filtro e análise da água (R$ 7,5–18 mil) mais limpeza e teste de vazão (R$ 2–10 mil). O valor real depende do terreno, do diâmetro e do projeto — peça orçamento com memorial descritivo completo.
O que é um mini poço artesiano?
"Mini poço artesiano" é um nome comercial, sem definição em norma, para o poço tubular raso: furo de pequeno diâmetro (4 a 6 polegadas), revestido em PVC, perfurado por sonda leve até algumas dezenas de metros para captar o aquífero livre. Custa menos que um poço profundo, rende pouca água e é mais sensível à seca e à contaminação. Tecnicamente, "artesiano" é o poço jorrante.
Qual a diferença entre poço semi-artesiano e poço artesiano?
Tecnicamente, artesiano é o poço em aquífero confinado cuja água jorra acima do terreno; "semi-artesiano" é o artesiano não jorrante, que precisa de bomba (Vasconcelos, SGB/CPRM, 2016). No mercado, porém, "semi-artesiano" costuma nomear o poço tubular raso e "artesiano" o poço profundo — uso inconsistente que o próprio SGB reconhece. O que muda de verdade é profundidade, vazão e proteção.
Um poço de 20 metros dá água o ano inteiro?
Depende do terreno e do ano. O poço raso capta o aquífero livre, cujo nível sobe com a chuva e desce na estiagem — numa microbacia de Minas, oscilou até 139% em 8 meses (Carvalho et al., 2013) — e, em seca severa, o USGS documenta poços rasos que param de produzir até a recarga voltar. Em cristalino, 20 metros costumam ficar no manto de alteração. Teste de bombeamento na estiagem e leitura geofísica reduzem a incerteza.
Poço raso precisa de outorga?
Em regra, todo poço precisa de autorização do órgão gestor estadual. Usos insignificantes podem ser dispensados de outorga, mas o limite varia por estado e o cadastro do poço continua sendo exigido na maioria deles: em São Paulo, até 15 m³/dia (com cadastro na SP Águas); em Minas Gerais, até 14 m³/dia em poço tubular rural, com requisitos. Perfurar sem autorização é infração administrativa (Lei 9.433/1997, art. 49, V).
A água de poço raso é potável?
Só com análise laboratorial no padrão da Portaria GM/MS 888/2021. Poços rasos captam o aquífero livre, que o USGS classifica como mais vulnerável à contaminação por estar perto da superfície e sem camada protetora; nitrato e coliformes de fossas, currais e adubo são os contaminantes típicos. Laje sanitária, cimentação e distância de fontes de contaminação reduzem o risco, mas não substituem a análise periódica.
Quantos litros por hora dá um poço de 20 metros?
Não existe número fixo: a vazão depende da espessura da zona saturada e do terreno, e só o teste de bombeamento a mede. Poços rasos rendem o bastante para uma casa com caixa d'água ou uma horta pequena — em cristalino, o BGS descreve vazões "baixas, mas suficientes para a demanda rural" — e muito menos que poços profundos para irrigação, que chegam a dezenas de metros cúbicos por hora.
Vale a pena fazer um poço de 50 metros em vez de 20?
Vale quando os 30 metros a mais atravessam camada produtiva — o que só a geologia local e a geofísica mostram. Em faixas didáticas, 50 metros custam R$ 18–45 mil sem bomba contra R$ 10–28 mil de 20 metros, porque perfuração e revestimento escalam. Em cristalino, 50 metros podem alcançar a primeira fratura; em sedimentar, podem só somar coluna de água. Furar mais fundo sem estudo é pagar o dobro pela mesma incerteza.
Próximo passo: aprofunde sua decisão
Este artigo respondeu quanto custa o poço raso e quando ele resolve. O passo seguinte é orçar do jeito certo — o que exigir no memorial descritivo, como comparar propostas com o mesmo R$/m e totais diferentes, e as faixas por tipo de poço. O Guia Completo de Custos de Poço 2026 percorre esse caminho. É gratuito: informe seu e-mail, responda 2 perguntas rápidas (tamanho da propriedade e uso da água) e receba o PDF na sua caixa de entrada.
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Sobre os valores, a lei e a sua água: as faixas deste artigo são referências didáticas de mercado (2025–2026) para você entender a ordem de grandeza — não são orçamento nem proposta da Aqua Liber; o custo real depende da geologia, da profundidade e do projeto. As regras de outorga e cadastro resumem a legislação vigente na data de publicação e variam de estado para estado: confirme o seu caso no órgão gestor do seu estado (SP Águas em São Paulo, IGAM em Minas) ou com um profissional habilitado. E nenhuma água de poço deve ser considerada potável sem análise laboratorial conforme a Portaria GM/MS 888/2021; em caso de suspeita de contaminação, suspenda o consumo e procure a Vigilância em Saúde do seu município. A Aqua Liber apoia clientes nesse processo, mas este texto não substitui a análise do seu caso.
Sobre a Aqua Liber
A Aqua Liber Geofísica é especializada em locação de poços por geofísica — Caminhamento Elétrico (técnica primária) e SEV (complementar), interpretados dentro do modelo conceitual hidrogeológico de cada área. Fundada em 2021, reúne uma equipe com mais de 15 anos de experiência no setor e centenas de laudos geofísicos emitidos com ART-CREA, atendendo propriedades em vários estados do Brasil, em terrenos sedimentares e cristalinos. Se o estudo geofísico divergir da realidade encontrada na perfuração, o valor da locação é devolvido.
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Referências:
· USGS — Groundwater Wells (Water Science School)
· USGS — Groundwater Quality (Water Science School)
· USGS — Water Q&A: Why do water levels in wells rise and fall?
· BGS — Overview of Groundwater in Africa (Africa Groundwater Atlas)
· Lei 9.433/1997 — Política Nacional de Recursos Hídricos (texto compilado)
· SP Águas (ex-DAEE) — Isenção de outorga e cadastro de uso insignificante
· IGAM — Instituto Mineiro de Gestão das Águas
· RIMAS — Rede Integrada de Monitoramento das Águas Subterrâneas (SGB)
· USGS — From Raindrop To Aquifer: The Science Of Groundwater Recharge (vídeo)
· Aqua Liber — Quanto custa furar um poço em 2026? R$ 52k a R$ 127k — entenda (vídeo)
· Aqua Liber — A Ciência por Trás da Profundidade Certa de um Poço (vídeo)