A eletrorresistividade injeta corrente elétrica no solo por dois eletrodos e mede a tensão em outros dois. Rocha saturada de água conduz melhor que rocha seca, e essa diferença vira uma imagem do subsolo. Lida dentro do modelo geológico da área, ela indica onde e a que profundidade perfurar — reduzindo furo seco e baixa vazão.
Atualizado em 27 de agosto de 2026.
Resumo executivo
- Resistividade elétrica (Ω·m) separa argila, areia saturada, basalto fraturado e rocha sã — cada um numa faixa própria.
- Caminhamento Elétrico (2D) varre a área; a SEV (1D) detalha a coluna vertical do ponto escolhido.
- Baixa resistividade não é sinônimo de água: argila também conduz. O modelo conceitual hidrogeológico desfaz a ambiguidade.
- Em basalto são a resistividade passa de 300–1.000 Ω·m; em zona fraturada saturada cai abaixo de 100 Ω·m.
- O laudo entrega ponto, profundidade-alvo, intervalo produtor e faixa de vazão provável — sempre faixa, nunca promessa.
O que é eletrorresistividade e o que ela mede no subsolo?
Eletrorresistividade é o método geofísico que mede a resistência que o subsolo oferece à passagem de corrente elétrica, expressa em ohm·metro (Ω·m). Quatro eletrodos cravados no chão bastam: dois injetam corrente, dois medem a tensão resultante. Como a água nos poros da rocha conduz eletricidade, o valor medido indica onde há material saturado — e onde não há.
O Brasil tinha 382.333 poços cadastrados no SIAGAS (Sistema de Informações de Águas Subterrâneas, do Serviço Geológico do Brasil) ao fim de 2024 — Relatório Anual SIAGAS 2024 (acesso 2026-08-27). Cada um foi locado por algum critério: tradição, palpite, mapa regional ou medição física do terreno.
A eletrorresistividade é a medição física. O princípio é a Lei de Ohm: conhecendo a corrente injetada, a tensão medida e a geometria dos eletrodos, calcula-se a resistividade do meio. Rocha seca resiste; rocha com água nos poros ou nas fraturas conduz. Esse contraste é o que o método enxerga.
Mostramos essa lógica em por que a superfície engana quem procura água — e como a geofísica funciona como "olhos de raio-X", vídeo do canal @AquaLiber. É também o que separa a geofísica dos métodos populares de achar veia de água.
Vídeo Aqua Liber: Por que a superfície te engana ao procurar água subterrânea?
Resistividade aparente × resistividade real: por que precisa de inversão
O valor medido em campo é a resistividade aparente — a média ponderada de tudo que a corrente atravessou, não a resistividade de uma camada específica. Solo raso condutivo sobre rocha resistiva produz um número intermediário que não corresponde a nenhum dos dois.
A inversão é o processo matemático que converte centenas de leituras aparentes em um modelo de resistividade real, célula a célula. O manual clássico do USGS (U.S. Geological Survey), Application of Surface Geophysics to Ground-Water Investigations (Zohdy, Eaton & Mabey, 1974; acesso 2026-08-27), já alertava: a interpretação não é única — várias combinações de camadas geram a mesma curva.
Por que rocha com água conduz eletricidade melhor?
Minerais que formam rochas (quartzo, feldspato, calcita) são isolantes. A corrente elétrica viaja pela água dos poros e das fraturas, e viaja melhor quanto mais sais dissolvidos ela tiver. A resistividade de uma rocha depende menos do mineral e mais da água: quanta ela contém, como essa água se conecta e quão mineralizada ela é.
O USGS resume as variáveis que controlam a leitura no vídeo oficial da ferramenta SEER (Scenario Evaluator for Electrical Resistivity):
- "O método é sensível à condutividade do fluido, à porosidade interconectada, à saturação, ao teor de argila e à presença de materiais metálicos." — USGS, Scenario Evaluator for Electrical Resistivity Survey Design Tool, min. 00:44 (Terry et al., 2017, Groundwater, DOI 10.1111/gwat.12522; acesso 2026-08-27)
Cinco variáveis — e três delas (fluido, porosidade e saturação) falam da água. O teor de argila é a quarta, e é a armadilha. A tabela abaixo mostra as faixas típicas da literatura de referência.
| Material | Resistividade típica (Ω·m) | O que isso significa na leitura |
|---|---|---|
| Argila | 1 – 100 | Muito condutiva mesmo sem água livre: baixa resistividade ≠ aquífero |
| Aluvião / areia | 10 – 800 | Saturada, fica no início da faixa; seca, no fim |
| Arenito | 8 – 4.000 | Poroso e saturado conduz; cimentado e seco resiste |
| Água subterrânea doce | 10 – 100 | Referência do fluido que preenche os poros |
| Basalto | 1.000 – 1.000.000 | Rocha sã é quase isolante |
| Granito | 5.000 – 1.000.000 | Idem — água só em fraturas |
Fonte da tabela: Loke, M.H. (1999), Electrical imaging surveys for environmental and engineering studies, Tabela 1 — PDF do curso (acesso 2026-08-27). Faixas largas são normais: a mesma rocha muda de valor conforme fraturamento, alteração e água.
Nota: o dado que mais importa para locação é o contraste dentro da mesma rocha. Em basalto do interior de São Paulo, a rocha sã supera 300 a 1.000 Ω·m; fraturada e saturada, cai para menos de 100 Ω·m (Saar, 2023, dissertação IAG-USP, acesso 2026-08-27). Esse salto é a zona produtiva.
Como é feito um levantamento de eletrorresistividade, passo a passo?
Um levantamento de eletrorresistividade tem sete etapas: modelo conceitual da área, desenho das linhas e do arranjo, instalação dos eletrodos, aquisição, controle de qualidade, inversão e laudo. O campo leva de um a poucos dias, conforme a área. A etapa que mais decide o resultado acontece antes de qualquer eletrodo tocar o chão.

- Modelo conceitual hidrogeológico. A equipe monta a síntese da geologia local: qual aquífero, se é poroso ou fraturado, profundidade-alvo provável, poços vizinhos cadastrados no SIAGAS. É esse modelo que dirá o que procurar na seção.
- Desenho das linhas e escolha do arranjo. Comprimento da linha, espaçamento entre eletrodos e arranjo (a geometria dos quatro eletrodos) definem profundidade e resolução. Linha curta enxerga raso com detalhe; linha longa enxerga fundo com menos nitidez.
- Instalação e checagem. Eletrodos cravados e umedecidos para reduzir a resistência de contato; cabos testados. Contato ruim é a principal fonte de leitura ruidosa.
- Aquisição. O resistivímetro injeta corrente de baixa frequência em ciclos alternados — o que permite filtrar o ruído natural do terreno — e registra corrente, tensão e posição de cada leitura.
- Controle de qualidade. Leituras que não se repetem dentro do padrão aceitável são refeitas. Linhas contaminadas por cercas elétricas, máquinas ou redes são descartadas, não "consertadas".
- Inversão. As leituras viram um modelo 2D de resistividade real. O ajuste é medido pelo erro RMS (raiz do erro quadrático médio entre dado medido e calculado). Em basalto fraturado paulista, seções com erro entre 4,7 % e 8,6 % foram consideradas confiáveis; uma linha com 52,3 %, próxima a maquinário, foi descartada (Saar, 2023, acesso 2026-08-27).
- Interpretação e laudo. A seção é lida dentro do modelo conceitual — nunca isolada — e vira recomendação assinada com ART.
Antes do campo, o USGS recomenda simular o levantamento com a ferramenta SEER, que mostra se aquele espaçamento e arranjo enxergariam o alvo. É o padrão de planejamento que descrevemos em investigação geofísica de alta precisão.
Wenner, Schlumberger ou Dipolo-Dipolo: como o arranjo muda o que se enxerga
O arranjo é a geometria dos quatro eletrodos, e cada um tem uma assinatura. O Wenner tem o sinal mais forte. O Schlumberger é o padrão da sondagem vertical. O Dipolo-Dipolo é o mais sensível a variações laterais — por isso é o arranjo típico do Caminhamento Elétrico.
| Arranjo | Ponto forte | Limitação | Uso típico |
|---|---|---|---|
| Wenner | Maior intensidade de sinal entre os arranjos comuns; boa leitura de variação vertical | Pouco sensível a estruturas estreitas e verticais | Áreas com ruído elétrico; camadas horizontais |
| Schlumberger | Grande penetração em profundidade ao abrir os eletrodos de corrente; prático em campo | Resolução lateral limitada | Padrão da SEV (sondagem 1D) |
| Dipolo-Dipolo | Muito sensível a mudanças laterais; boa cobertura horizontal em 2D | Sinal cai rápido com a distância entre dipolos | Padrão do Caminhamento Elétrico; fraturas e contatos |
Fonte da tabela: Loke (1999), seções 2.5.1–2.5.3 (PDF, acesso 2026-08-27); confirmado por Dahlin & Zhou (2004), Geophysical Prospecting 52(5), DOI 10.1111/j.1365-2478.2004.00423.x (acesso 2026-08-27): Wenner é o menos afetado por ruído; dipolo-dipolo e arranjos próximos entregam as imagens de melhor resolução.
Por isso ninguém escolhe arranjo "de fábrica": no Dipolo-Dipolo, o sinal cai cerca de 200 vezes entre n = 1 e n = 6 (Loke, 1999, acesso 2026-08-27) — sem equipamento sensível e bom contato, resolução vira ruído.
Caminhamento Elétrico ou SEV: qual a diferença e quando usar cada um?
Caminhamento Elétrico (CE) é a eletrorresistividade em 2D: eletrodos deslocados ao longo de uma linha produzem uma seção com variações laterais e verticais. A SEV (Sondagem Elétrica Vertical) é a versão 1D: abre os eletrodos em torno de um ponto fixo e entrega a coluna vertical daquele ponto. O CE varre; a SEV detalha.
| Critério | Caminhamento Elétrico (CE) | SEV |
|---|---|---|
| Dimensão | 2D — seção ao longo da linha | 1D — perfil vertical num ponto |
| O que revela | Variações laterais e verticais: fraturas, contatos, zonas saturadas | Sequência de camadas e suas espessuras sob o ponto |
| Arranjo típico | Dipolo-Dipolo | Schlumberger |
| Quando entra | Primeiro — técnica primária, triagem da área | Depois — técnica complementar, detalhe do ponto escolhido |
| Produto | Seção de resistividade (imagem colorida) | Curva de campo + modelo de camadas |
Nota: na literatura internacional o CE aparece como ERT (Electrical Resistivity Tomography — tomografia de resistividade elétrica) e a SEV como VES (Vertical Electrical Sounding). São os mesmos métodos; muda o idioma.
Na Aqua Liber, a ordem é fixa: o Caminhamento Elétrico entra primeiro, porque a pergunta inicial é "onde, nesta área, existe a melhor condição?" — uma pergunta lateral. A SEV entra depois, sobre o ponto candidato, para responder "a que profundidade?". Em aquífero sedimentar, é a SEV que ajuda a definir em que intervalo instalar os filtros.
- "Em centenas de laudos geofísicos, o que separa um bom ponto de um furo seco não é o equipamento — é ler a seção de resistividade dentro do modelo conceitual hidrogeológico da área. Sem a geologia local, a mesma mancha azul pode ser água ou argila." — Equipe Técnica Aqua Liber
Quanto abrir os eletrodos numa SEV? Não há fórmula fixa. Em terreno sedimentar homogêneo, aberturas de cerca de 3 vezes a profundidade-alvo costumam bastar; em basalto fraturado, levantamento real precisou de aberturas de até 300 m para confiabilidade até 60 m — cerca de 5 vezes (Saar, 2023, acesso 2026-08-27).
Terreno heterogêneo exige mais linha por metro de profundidade. Os critérios de custo e risco dessa escolha estão no guia completo de locação de poço artesiano com geofísica.
O que muda entre terreno sedimentar e cristalino na leitura da geofísica?
Em terreno sedimentar (aquífero poroso), o alvo é uma camada saturada contínua — a pergunta central é a profundidade. Em terreno cristalino ou basáltico (aquífero fraturado), o alvo é a zona onde a rocha fraturou — a pergunta central é a posição lateral. A mesma eletrorresistividade responde às duas, mas o peso de cada técnica se inverte.
O Sudeste tem os dois terrenos lado a lado, o que torna a geologia local decisiva. Em centenas de laudos geofísicos, as faixas que observamos por sistema aquífero são estas:
| Sistema aquífero | Tipo | Profundidade típica | Vazão típica | Onde a geofísica pesa mais |
|---|---|---|---|---|
| Bauru-Caiuá (oeste paulista) | Poroso, sedimentar | 80 – 180 m | 30 – 80 m³/h | SEV define o intervalo dos filtros |
| Guarani confinado (SP/MG) | Poroso, sedimentar | 250 – 400 m | 40 – 120 m³/h | Confirmar se há basalto sobreposto |
| Serra Geral (basalto, SP/MG) | Fraturado | 100 – 250 m | 10 – 50 m³/h | CE localiza a zona fraturada |
| Embasamento cristalino (leste de SP, sul de MG) | Fraturado | Variável | Muito variável no mesmo município | CE é decisivo; sem ele, é loteria |
Fonte: padrão observado em centenas de laudos geofísicos Aqua Liber (referência de campo, não garantia); cristalino sem faixa numérica por variar demais localmente.
O Sistema Aquífero Guarani cobre 1,2 milhão de km² na América do Sul, 840 mil deles no Brasil, atravessando São Paulo e Minas Gerais (SGB — Aquífero Guarani, acesso 2026-08-27). "Ser Guarani" no mapa não garante poço raso: onde o basalto da Serra Geral está por cima, a perfuração atravessa rocha dura antes de chegar à areia.

No basalto, o número decisivo é a vazão específica (m³/h por metro de rebaixamento do nível d'água): no Sistema Aquífero Serra Geral ela varia de 0,08 a 50 m³/h/m (CETESB — Aquífero Serra Geral, acesso 2026-08-27). Uma amplitude de 600 vezes no mesmo aquífero — a diferença entre furar na fratura e ao lado dela.
A BGS (British Geological Survey, o serviço geológico britânico) descreve o mesmo comportamento no embasamento cristalino africano, análogo ao nosso: a água ocorre "onde a rocha foi significativamente intemperizada e/ou em zonas de fratura", e a eletrorresistividade é uma das duas técnicas principais de locação (BGS — Siting Boreholes, acesso 2026-08-27).
É por isso que a geofísica reduz dois riscos, não um: o furo seco e a baixa vazão. Como a profundidade varia com o aquífero, vale ler qual a profundidade ideal para um poço artesiano.
Como ler uma seção de resistividade — e o que ela não garante?
Uma seção de resistividade é um corte vertical do terreno em cores: tons frios (azul) marcam baixa resistividade, tons quentes (vermelho) marcam alta. A leitura útil não é "azul = água", e sim "este azul, nesta posição, nesta geologia, é compatível com zona saturada?". A resposta vem do modelo conceitual — e é uma probabilidade fundamentada, nunca uma certeza.
Três ambiguidades explicam por que a seção não se lê sozinha. A argila: condutiva como água saturada, aparece igualmente azul. A equivalência: combinações diferentes de espessura e resistividade produzem a mesma resposta — o alerta do USGS de 1974. E a geometria: o mesmo alvo sai nítido ou embaçado conforme espaçamento e arranjo.

O USGS é direto sobre o limite do método:
- "Ao contrário do que mostram os filmes, levantamentos geofísicos reais não entregam uma visão perfeita do subsolo. Entregam imagens que podem ser embaçadas e imperfeitas — mas ainda assim úteis." — USGS, Scenario Evaluator for Electrical Resistivity Survey Design Tool (EN, 4 min), min. 01:56 (acesso 2026-08-27).
O que desfaz a ambiguidade é a geologia local. Se o modelo conceitual diz "arenito Bauru sob 20 m de solo argiloso", a faixa azul rasa é argila e a intermediária é o alvo. Se diz "basalto são com zonas de fratura", a mancha azul estreita dentro do vermelho é a fratura saturada — o padrão de Saar (2023).
Esse método em cinco etapas é o que aplicamos na consultoria hídrica para o agronegócio.
Quem lê a seção também precisa dizer o que ela não garante. Ela não garante vazão: a vazão real só aparece no teste de bombeamento, depois de perfurado. Não garante qualidade da água. E não elimina o risco — reduz. Quem promete "100 % de acerto" está vendendo, não medindo.
O que um laudo geofísico precisa entregar?
Um laudo geofísico completo entrega sete coisas: o modelo conceitual da área, o mapa com as linhas georreferenciadas, as seções invertidas com escala e erro, a interpretação hidrogeológica, o ponto recomendado com coordenadas, a profundidade-alvo com o intervalo produtor esperado e a faixa de vazão provável — assinado por profissional habilitado, com ART.
Não existe norma ABNT específica para o conteúdo de um laudo geofísico. As normas que regem o poço são a NBR 12212 (projeto de poço tubular para captação de água subterrânea) e a NBR 12244 (construção). O laudo se sustenta na ART (Anotação de Responsabilidade Técnica, registrada no CREA), que vincula o profissional ao que foi recomendado.
A lista de verificação, item a item:
- Modelo conceitual hidrogeológico — aquífero, tipo (poroso/fraturado), poços vizinhos consultados no SIAGAS, profundidade-alvo prevista.
- Mapa das linhas — posição de cada linha de CE e de cada SEV, com coordenadas.
- Seções e curvas — imagens invertidas com escala de resistividade, profundidade e erro RMS declarado.
- Interpretação — o que cada anomalia significa dentro da geologia local; o que ficou ambíguo.
- Recomendação — ponto (coordenadas), profundidade-alvo, intervalo produtor esperado, faixa de vazão provável (sempre faixa).
- Limitações — o que o levantamento não conseguiu resolver e por quê.
- ART — número e responsável técnico.
Um laudo com essa estrutura acompanha o projeto do poço no processo de outorga — a autorização de uso da água, que no Brasil é sempre do órgão estadual (em São Paulo, a SP Águas, ex-DAEE; em Minas, o IGAM). Ele não substitui o projeto nem o teste de bombeamento, mas é a base dos dois.
O laudo é o fim da geofísica e o começo do projeto. Como transformar o laudo geofísico em projeto de poço — perfil construtivo, filtros, cimentação, teste de bombeamento e outorga — é o que detalhamos no Guia Completo para Estruturar seu Projeto de Poço com Segurança Técnica, e-book gratuito da Aqua Liber.
Como escolher quem faz o estudo geofísico?
Escolha pelo que é verificável, não pelo que é prometido: método declarado e justificado, responsável técnico com CREA e ART, laudo-exemplo para ler antes de contratar, garantia escrita e independência entre quem projeta e quem perfura. Esses cinco sinais separam medição de venda.
A escolha do método é o primeiro filtro. O USGS mantém uma ferramenta de seleção de método para rocha fraturada — a Fractured Rock Geophysical Toolbox (Day-Lewis et al., 2016; acesso 2026-08-27) — justamente porque a técnica certa depende do sítio e do objetivo, não do hábito do operador.
Seis perguntas para fazer a qualquer fornecedor:
- Que método você usa e por quê aqui? A resposta precisa citar a geologia da sua área, não só o nome do equipamento.
- Quem interpreta e com que modelo conceitual? Sem geólogo ou geofísico lendo a seção dentro da geologia local, a imagem é só cores.
- Posso ver um laudo-exemplo? Compare com a lista da seção anterior. Faltou "limitações"? Desconfie.
- Quem assina a ART? Nome, CREA e número da anotação.
- O que acontece se a perfuração divergir do laudo? Na Aqua Liber, a garantia é contratual: divergência entre o projeto geofísico e a realidade do solo devolve o valor da locação.
- Quem projeta é quem perfura? Separar as duas evita que o interesse comercial defina a profundidade — veja por que separar projeto de perfuração pode ser a decisão mais importante do projeto hídrico.
Os critérios gerais de contratação estão em como escolher a melhor empresa de poços artesianos; o escopo do serviço de prospecção geofísica da Aqua Liber descreve o que entra em cada etapa.
Perguntas frequentes
O que é eletrorresistividade?
Eletrorresistividade é o método geofísico que injeta corrente elétrica no subsolo por dois eletrodos e mede a tensão em outros dois, calculando a resistividade do terreno em ohm·metro. Como a corrente viaja pela água dos poros e fraturas, zonas saturadas aparecem com resistividade baixa e rocha seca com resistividade alta. Esse contraste, interpretado dentro da geologia local, indica onde perfurar.
A geofísica garante que o poço vai ter água?
Não. A eletrorresistividade reduz o risco de furo seco e de baixa vazão, mas não o elimina: a seção tem ambiguidades (argila também conduz; camadas diferentes podem gerar a mesma resposta). O que ela garante é uma decisão baseada em medição e geologia, não em palpite. A vazão real só aparece no teste de bombeamento. Desconfie de quem promete acerto de 100 %.
Qual a diferença entre caminhamento elétrico e SEV?
O Caminhamento Elétrico é a eletrorresistividade em 2D: gera uma seção ao longo de uma linha e mostra variações laterais e verticais — ideal para localizar fraturas e contatos. A SEV (Sondagem Elétrica Vertical) é 1D: detalha as camadas sob um único ponto. Na prática, o CE varre a área e escolhe o ponto; a SEV confirma a profundidade das camadas naquele ponto.
Geofísica funciona em terreno de rocha, ou só em solo arenoso?
Funciona nos dois, com pesos diferentes. Em terreno sedimentar (Bauru, Guarani), o alvo é uma camada contínua e a SEV ajuda a definir a profundidade dos filtros. Em rocha cristalina ou basalto (Serra Geral), a água está em zonas fraturadas estreitas e a posição lateral é tudo — aí o Caminhamento Elétrico é decisivo. No Serra Geral, furar na fratura ou ao lado dela muda a vazão específica em até 600 vezes.
Quanto tempo leva um levantamento de eletrorresistividade?
O campo leva tipicamente de um a poucos dias, conforme o tamanho da área, o número de linhas e o acesso. O pré-campo (modelo conceitual, poços vizinhos no SIAGAS, mapa hidrogeológico) e o pós-campo (inversão, interpretação, laudo com ART) somam mais alguns dias úteis. Terreno fraturado pede mais linhas que terreno sedimentar homogêneo, e o prazo acompanha.
O estudo geofísico custa quanto em relação ao poço?
O estudo geofísico é uma fração do custo total do poço — perfuração, revestimento, filtros, bomba e outorga somam a maior parte. A conta que importa é outra: um furo seco custa o preço de um poço inteiro sem entregar água. O comparativo entre custo do estudo e custo do risco está no guia de locação de poço artesiano com geofísica, com faixas didáticas de mercado.
Geofísica substitui o teste de bombeamento?
Não. A geofísica acontece antes de perfurar e responde "onde e a que profundidade"; o teste de bombeamento acontece depois e responde "quanto o poço entrega de forma sustentável". O laudo geofísico indica uma faixa de vazão provável; o teste mede a vazão real e o rebaixamento — dados que o projeto do poço e o pedido de outorga exigem.
Um aviso importante: este artigo é educativo e resume as regras gerais vigentes na data de publicação. Legislação e exigências de outorga mudam — e variam de estado para estado. Antes de decidir sobre o seu poço, confirme a regra do seu caso no órgão gestor do seu estado (SP Águas em São Paulo, IGAM em Minas) ou com um profissional habilitado. A Aqua Liber apoia clientes nesse processo, mas este texto não substitui a análise do seu caso.
Próximo passo: aprofunde sua decisão
Este artigo explicou como a eletrorresistividade transforma corrente elétrica em uma decisão de onde perfurar. O passo seguinte é transformar o laudo em projeto: perfil construtivo, filtros, cimentação, teste de bombeamento e outorga — o percurso do e-book gratuito da Aqua Liber, do modelo conceitual à água na torneira.
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Sobre a Aqua Liber
A Aqua Liber Geofísica é uma empresa de geofísica e locação de poços fundada em 2021, com sede na Grande São Paulo e equipe com mais de 15 anos de experiência de campo. A locação usa Caminhamento Elétrico (primária) e SEV (complementar), interpretados dentro do modelo conceitual hidrogeológico de cada área — em terreno sedimentar e cristalino.
Centenas de laudos geofísicos com ART-CREA, garantia contratual de devolução da locação em caso de divergência entre projeto e solo e avaliação 5,0 no Google (212 avaliações) são os sinais verificáveis do trabalho. Texto escrito por Tulio Fonseca com colaboração de IA e revisado pela Equipe Técnica Aqua Liber.
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A Aqua Liber entrega o estudo geofísico completo — modelo conceitual, Caminhamento Elétrico, SEV, interpretação e laudo com ART — e o projeto de captação que nasce dele. Ler o dado dentro da geologia local reduz furo seco e baixa vazão, com garantia contratual se o solo divergir do projeto. Fale com a equipe pelo WhatsApp (11) 94288-3000.
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Referências:
· SGB — Relatório Anual SIAGAS 2024 (acesso 2026-08-27)
· SGB — Aquífero Guarani (acesso 2026-08-27)
· CETESB — Aquífero Serra Geral (aquíferos monitorados) (acesso 2026-08-27)
· Saar, H.F. (2023). Dissertação de Mestrado, IAG-USP — eletrorresistividade em basalto fraturado (acesso 2026-08-27)
· Loke, M.H. (1999). Electrical imaging surveys for environmental and engineering studies (acesso 2026-08-27)
· Dahlin, T. & Zhou, B. (2004). A numerical comparison of 2D resistivity imaging with 10 electrode arrays. Geophysical Prospecting 52(5) (acesso 2026-08-27)
· USGS — Zohdy, Eaton & Mabey (1974). Application of Surface Geophysics to Ground-Water Investigations (TWRI 02-D1) (acesso 2026-08-27)
· USGS — Terry et al. (2017). Scenario Evaluator for Electrical Resistivity (SEER). Groundwater 55(6) (acesso 2026-08-27)
· USGS — Fractured Rock Geophysical Toolbox Method Selection Tool (FRGT-MST) (acesso 2026-08-27)
· BGS — Siting Boreholes (Africa Groundwater Atlas) (acesso 2026-08-27)
· Aqua Liber — Locação de poço artesiano: o guia completo com geofísica
· Aqua Liber — Investigação geofísica de alta precisão
· Aqua Liber — Como achar veia de água: métodos populares e a solução científica
· Aqua Liber — Qual a profundidade ideal para um poço artesiano
· Aqua Liber — Como escolher a melhor empresa de poços artesianos
· Aqua Liber — Consultoria hídrica para o agronegócio
· Vídeo do canal @AquaLiber: Por que a superfície te engana ao procurar água subterrânea?
· Vídeo do canal @AquaLiber: Por que separar projeto de perfuração pode ser a decisão mais importante de um projeto hídrico